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Dados, Desejos e Desbloqueios: Por que o RPG é a Terapia que Você Não Sabia que Precisava



Fala Coterie ...                                                                                                                                                          Quem me vê atrás do escudo de Mestre, cercada por dados e mergulhada nas sombras de Vampiro: A Máscara ou nos mistérios de Ordem Paranormal, talvez enxergue apenas uma contadora de histórias fascinada pelo terror. Mas se você olhar um pouco mais de perto, por trás do batom e da atmosfera gótica, vai perceber que a psicanalista e a sexóloga estão agindo em cada cena. Para mim, o RPG nunca foi apenas um hobby ou um passatempo nerd de final de semana; ele é um espelho profundo da mente humana, um laboratório vivo onde nossos maiores medos, desejos e potenciais se encontram para jogar.

Ao longo da minha jornada unindo a arte, a dança e a saúde mental, percebi que vestir a pele de um personagem é uma das formas mais poderosas de acessar o que está trancado dentro de nós. O RPG terapêutico atua justamente nessa fronteira entre o real e o lúdico. Quando criamos um alter ego, ganhamos uma camada protetora — uma máscara segura — que nos permite encarar bloqueios sociais crônicos, timidez, dilemas de autoimagem e até mesmo traumas antigos. Experimentar a coragem, a vulnerabilidade ou a liderança em um cenário controlado faz com que a mente entenda que nós também podemos carregar essas forças na vida real, transformando a diversão em um processo genuíno de cura e autoconhecimento.

Para que essa mágica aconteça e a mente possa se abrir, a estrutura da mesa precisa ser inabalável. Nas minhas campanhas, a segurança psicológica e o respeito mútuo não são opcionais, são a espinha dorsal de cada sessão. Desenvolvo um trabalho focado na inclusão, preparando o ambiente de forma acolhedora para pessoas neurodivergentes, respeitando o ritmo, o tempo e os limites de cada jogador. Acredito piamente que o universo geek e nerd pertence a todos nós. O tempo em que o RPG era um clube exclusivo, dominado por um único perfil masculino, ficou no passado. O D20 de Batom nasceu exatamente para fincar essa bandeira de empoderamento, mostrando que o olhar feminino, plural e diverso não apenas tem direito ao espaço, mas enriquece e transforma a narrativa em algo muito mais visceral.

Minha missão de conectar essa comunidade e expandir os horizontes do jogo não conhece barreiras físicas ou digitais. Embora o ambiente online me permita guiar jogadores de diferentes cantos do mundo, o calor do olho no olho também pulsa forte no meu trabalho através das sessões presenciais. E o próximo passo dessa jornada já está desenhado: em breve, levaremos a imersão ao limite máximo com a chegada das sessões de LARP (Live Action Roleplay). Unindo a minha paixão pela performance, pela dança e pela teatralidade, vamos tirar as fichas do papel e vestir os personagens na própria pele, com figurinos, cenários e interpretação direta. Seja para desafiar os seus próprios limites, para encontrar um refúgio acolhedor ou para liderar uma revolução com dados na mão, o tabuleiro está pronto, as cadeiras estão postas e este espaço é, genuinamente, de todos vocês.

Rolem a Iniciativa e que começe a cronica 

                                                  Nanda Salima

                                           ( Artista/Psicanalista)

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